A escrita para mim

Não sei outros escritores, mas não consigo planejar bem um texto no papel antes de me pôr a escrever.

Geralmente, são as primeiras palavras que me brotam na cabeça com uma ideia, e assim, surge uma dança improvisada entre letras, períodos e parágrafos.

Me pergunto, será que o texto já mora no autor antes mesmo dele perceber sua existência? Se um dia vir a publicar um livro, me pergunto, será que o livro já morava em mim a todo momento, só me faltava foco e paciência para o desenterrar?

Muitas vezes sinto que tudo ao nosso redor funciona dessa forma. As palavras que buscamos usar num diálogo parecem que nasceram prontas para aquele momento. Um “eu te amo” que sai sem perceber e não aguentava mais morar no coração. Uma história, ainda não escrita, que já parece ter vida antes mesmo de existir – e por isso, ao escrever, ela só vem e vem e vem, não para nunca.

Não sei para os outros escritores qual a relação que cultivaram com a escrita, mas o meu relacionamento é bem sadio. Devo não mentir, há sim momentos em que ela me consome mais do que estou pronta, e acabo me esgotando antes de perceber; há também momentos em que a procuro por toda parte e não encontro nada mais que balbucios – o que me frustra, preciso que se entregue inteiramente para mim, não posso sobreviver com suas metades, queridos textos.

A escrita para mim se desdobra como uma casa segura, mas, em simultâneo, cheia de surpresas, agradáveis ou não. A escrita me salvou tantas vezes que não é possível quantificar; me entregou respostas para dúvidas que me atormentavam. 

A escrita é uma ferramenta para viver melhor a vida, tenho consciência disso. Não só para viver melhor minha a vida, mas também para formar a sociedade, em sua totalidade, melhor e educada.

A escrita não é o fim em si, diferente do que muitos pensam. Ela é o meio, e por um bom tempo não a aceitavam como um meio (mania de artista, querer que tudo seja apenas um fim em si, como a própria vida). Contudo, sua importância e eficiência jazem justamente no fato de ser um meio: de escapar de si, de transpirar para dentro, de se alojar em outros mundos, de partir.

Digo mais, não só a escrita é o meio, mas toda forma de expressão. E quando falamos de expressão, falamos de Arte e bom… isso já é assunto para uma próxima postagem.

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