Você busca calma?

O que te tira a paciência? Por quê?

O que suga sua calma? Por quê?

Não existe resposta certa, qualquer coisa pode ser motivo – discussões familiares e com colegas; pressão no trabalho e estudos; o mundo, pessoas, a vida. Mas não é porque tudo pode ser motivo de estresse, que você deveria se estressar por tudo.

Vivemos tantos estímulos, que naturalizamos as ansiedades derivadas destes. Se uma pessoa se autoproclama “sou estressada”, não enxergamos como um problema imediato.

Mas isso não é saudável.

Nos acostumamos em sentir e mergulhar no que se sente e a reagir externamente a isso. Nos entregamos à cara fechada, raiva, impaciência; que pode tornar-se gritos, bebedeiras, redes sociais e violência. Aceitamos o que nosso corpo nos empurra a fazer: liberar tensão física.

Só que liberar essa tensão, nos impede de refletir – ficamos cegos às sensações. Não refletir sobre os porquês, comos; se errou, exagerou; é uma chance perdida de se desenvolver e viver uma vida melhor – por isso terapia e ócio são importantes.

Sentir o estresse não é ruim, é inevitável, normal. O que falo é: quando estressamos e nos perdemos no estresse, não é saudável – e ainda não sei dizer se as pessoas percebem esse problema.

Agora, sei que cada vez mais pessoas querem calma, desejam ser pacientes, mas parecem não saber como chegar lá – ou mesmo, parecem não estar dispostas a chegar lá.

Eu entendo, o processo é longo, são anos de terapia e treinamento interno, mas o saldo é positivo. Entender essas sensações adicionam a sua vida autoconhecimento – entender que é seu corpo que reage ao meio externo, não o meio externo que reage ao seu corpo, é libertador.

Mesmo sendo um processo difícil, se você chegou até o fim desse texto, uma sementinha de consciência foi implantada e com essa informação você já será capaz de se questionar: o que me atrapalha de chegar lá?

Espero ter te ajudado. Se você conhece alguém que precisa ler isso, marque nos comentários ou compartilhe com ela. Vamos juntos tentar ser melhores, para tornar o mundo um lugar melhor.

O mundo precisa de gente como você

Li uma notícia que me quebrou.

Mas foi apenas mais uma das dezenas que já li e das dezenas que já li, sei que acontecem milhares de outras, todos os dias – e nada posso fazer.

Li uma notícia que quebrou meu coração e todo mundo ficou falando o quanto o mundo é mau e os humanos são maus, mas não acredito em humanos maus.

Li uma notícia violenta, como centenas outras: cruel, desumano, porque o que é mau, é desumano.

A desumanidade me dói tanto que fica difícil enxergar o teclado com essas lágrimas me embaçando a vista.

A desumanidade me dói tanto que o chão se perde – e essa dor não se compara com a dor da vítima.  

Tento me colocar no lugar dessa pessoa e me sinto fraca por não conseguir suportar, só de imaginar, eu passando por isso. Como dói pensar que tanta gente sangra, sofre, morre. Como dói a crueldade, a desumanidade que o mundo guarda.

Essa desumanidade que acontece num ponto insignificante do Universo, num ponto insignificante da Via Láctea, num ponto insignificante do Sistema Solar.

Essa desumanidade reprimida nos irrita, mas o que fazemos? O que eu faço? Nada? A gente não é mesmo capaz de nada?

Essa notícia que li me fez pensar; se cada pessoa que diz o quanto o mundo é mau, tentasse fazer do mundo um lugar bom, talvez ele seria menos mau.

Li uma notícia que me rasgou por dentro – e me dói saber que esse tipo de coisa parece não ter data de validade.

E me irrita! Me irrita muito essa maldade, essa desumanidade! Me dá vontade de gritar, de socar, de matar! Fico possessa, quero tirar satisfação com quem tem coragem de ser tão desumano… Mas isso não me tornaria alguém melhor, tornaria?

Gritar de volta, é justiça?

Então me acalmo e a raiva se transforma em tristeza…

Não quero ver mais desumanidades. Por favor, se apegue ao que existe de humano em você, sua humanidade. Por favor.

Eu sei que dói ser humano, eu também sou. As lágrimas que rolam em você, também rolam em mim. A raiva que te explode, eu também sinto. Eu compreendo seu sofrimento.

Sei que é complicado, doído, viver nesse ponto insignificante do Universo que parece comprimir tanta desumanidade – mas a esperança não pode se perder.

Para isso preciso de gente como você:

gente humana.

Trivialidades da vida

À primeira vista, uma maçã apodrecendo, o balançar de braços de um indivíduo, gotas de água caindo do céu, a cicatrização de uma ferida e a existência do sol, parecem acontecimentos triviais. Por que entender mais do que a visão literal permite?

No passado foi importante filtrar o que se vê: uma folha de aparência suspeita, um buraco no meio do caminho, um predador à espreita, uma bela flor… E o enxergar-literal foi importante para tantas aplicações práticas… O problema foi quando começou a limitar nosso desenvolvimento.

Vimos a folha estranha e demoramos para a enxergar como uma fonte de nutrientes, repleta de vasos, seivas e células e água e vida. 

Quando enxergamos a folha além da folha, o poder era propriedade de poucos – até convencerem o resto das vilas e tribos que poderiam comer a folha, muita gente morreu desnutrida.

Atualmente, acreditamos termos chegado num patamar excepcional da vida e do conhecimento, mas a realidade é: nunca parece que há algo novo para aprender, quando tudo que você sabe é o que você faz questão de saber. Uma maçã apodrecendo em cima da mesa, o que posso aprender com isso? Que coisa ridícula.

Mas você já parou para pensar o que faz a maçã ser doce? E o que aquelas sementes guardam para virarem novas maçãs?

Já parou para pensar no processo de envelhecimento, como as células se portam nesse tempo, e que esse mesmo tempo é uma variável imprescindível para tudo na Terra – não na Terra, mas no Universo?

Já parou para pensar o que causa um braço balançar e como é possível um balançar? Como é possível andar? Por que as coisas não ficam paradas e inertes a realidade e… imortais? Já parou para pensar no constante movimento do mundo?

Já tentou refletir sobre as águas que moram na Terra e vão ao céu e voltam à Terra e molha sua blusa, que muda de cor, que molha sua pele, que sente frio, que caí no chão e faz barulho e que caí no guarda-chuva que não absorve água nenhuma… Como funciona a absorção? Como funciona o molhar?

Quando olha o sol, imagina quantos elementos partilham? Que cada cor que ele emite, todo calor e energia, interage com você apesar dos quilômetros de distância e, ainda por cima, ele ajuda a manter toda vida?

O ser humano tem potencial para conquistar o mundo, mas prefere o destruir, graças a uma ignorância cega em si.

O ser humano tem potencial para conquistar o mundo, mas prefere se apegar a rotinas e enxergar tudo o que lhe acontece de forma trivial e lamentável.

A realidade tem tanta magia

Triste ver pessoas morando num lugar, com tanto para ensinar, ignorando essas lições.

Fico triste por todos incapazes de ver o mundo, podendo escolher diferente.

Meu lamento é para vocês que podem, mas nada fazem.

Palavras para felicidade

Talvez seja o sorriso que dei, a alegria que senti, as lágrimas que me brotaram, as gargalhadas arrancadas, as dores, marcas e sensações que se estampam em minha pele. Pode ser tudo, como pode ser nada.

Pode ser o êxtase, o transe, o ápice de sentimentos bons ou o ápice de sentimentos ruins.

Quando me deito na grama e observo o céu claro, quando o sol me queima e o vento me refresca, quando sinto a água descendo a garganta, quando ouço barulhos estranhos no meu estômago ou me molho na chuva, quando me magoam e quando me elogiam, quando me sinto plena e quando me sinto vazia.

Pode ser num momento de felicidade como num de tristeza, pode ser a beleza de outra pessoa, pode ser meu reflexo, a dificuldade de interpretar ou a clareza de um som.

É a luz que me dá dor de cabeça e a escuridão que me conforta, são minhas crenças, valores e sentidos. Minhas opiniões, minhas discórdias, meus aprendizados, meus convívios. É tudo que me envolve, ou é nada.

O pássaro que voa as nuvens que são levadas, as estrelas no além, o choro de emoção, os passos desengonçados com a música, a voz, a melodia, o filme, o livro, o instrumento, a anatomia, é tudo que me faz.

O social, o filosófico, a matemática, a geografia, é a história – minha História – é o que me mantém acordada. É a insônia e a ansiedade, o enjôo e o formigamento, é o diálogo e a gritaria, é tudo que me mantém viva.

São as brigas, os afastamentos, o tédio. A vontade de desistir, a falta do que fazer, a irresponsabilidade, a responsabilidade, o amor, o ódio, a raiva, as bochechas vermelhas.

O calor que passo de baixo de blusas, o frio que sinto com a falta destas, a teimosia, as contradições e as mudanças de hábitos.

São as incertezas, o excesso de certezas, a alienação, a ignorância, a inteligência. É o orgulho e o ato de não assumir, é o quanto apanhei do pai e o quanto me levantei aqui. É o fato de eu continuar em pé mesmo depois de tudo.

Foi minha violação, a invasão dos sentimentos, o excesso deles e sua falta.

É a saudade e a graça por ter passado momentos, são as lembranças que ficam e as memórias que não voltam, os dias que se passaram e os dias que virão, a força, os colegas. Os que fazem a diferença e não sabem, os que fizeram a diferença e nem ligam e os que farão a diferença, mas nem imaginam, é tudo que está ao meu redor.

É o que me faz chorar e rir. É a empatia e a apatia, o desejo do que é errado e a falta de interesse no certo, é a paixão compartilhada, é tudo, absolutamente tudo, tudo que se mantém estável, por conta de pessoas dessa trajetória.

Pessoas pelas quais valem a pena continuar, pessoas que fazem você querer continuar, mesmo quando não quer de fato, são elas que fazem a diferença. 

Espero que eu sempre acorde, espero que eu me sinta bem. Espero que eu me sinta mal e tenha vontade de morrer, para saber que estou viva. Quero sentir vontade de chorar, para assim saber que fui feliz. Sem choro, não há sorrisos, é o que aprendi com a vida.

Foi um longo processo, mas consegui e é isso que as pessoas precisam saber, elas em sua grande parte, conseguem também, eu acredito, mas elas não acreditam em si, entendo, eu também não acreditava.

Tento ao máximo não falar de mim, mas acaba sendo inevitável.

Ouvir funk, músicas animadas.
                                                                                                            

Estude pra ser gente!

É? Estudar pra ser gente? Mas não é isso o que já sou?

Não? Não sou gente enquanto não estudar? Mas o estudo algum dia tem fim? Não? Então pra sempre vou ser esse pedaço de algo que… não é gente?

“Estude pra ser gente!” Mas que raios isso quer dizer? Estudar para crescer, trabalhar e morrer depois de tanto se dedicar a ser o que já sou, mesmo sem saber.

“Estude pra ser gente!” Meus pai e mãe me fala, os professores e até a tia da merenda, uma multidão de gente exclama, mas nem toda essa gente é gente, porque nem toda essa gente é estudada.

Meu pai mesmo, não sabe nem a tabuada do 3, coitado. Minha mãe vive pulando as letras do alfabeto. A tia da merenda vez ou outra conjuga mal os verbo.

Gente é só gente estudada? Gente que sabe ler e interpretar? Gente que sabe calcular? Gente que passa na faculdade e fica orgulhoso disso porque, finalmente, virou gente?

“Estude pra ser gente!” Eles gritam ao pé do meu ouvido. Mas senhor e senhora, como estudar para ser gente se não como como gente, se não durmo como gente, se não vivo como gente? 

Senhor e senhora, querem que eu estude pra ser gente? Me dê condição então de gente antes, depois a gente conversa, depois abro esses livros e cito aquela poesia que tanto querem ouvir.

Se não existisse dinheiro, o que você faria?

Quanto mais o tempo vai passando, mais eu sinto necessidade de dinheiro. Estou ficando cada dia mais velha, em algum momento vou precisar sair de casa, pagar minhas contas, ir em busca da minha independência.

Essas necessidades para viver, na sociedade atual, me fazem necessitar de dinheiro, mas no fundo, eu não quero dinheiro, só quero viver.

Se não existisse dinheiro eu viveria.

Se eu pudesse escolher como eu viveria, sem me preocupar com nada, com certeza não trabalharia. Não escreveria todos os dias, nem daria palestra todos os dias, nem pesquisaria todos os dias, nem estudaria todos os dias para me tornar uma profissional melhor.

Não passaria horas na frente do computador ou mexendo no celular.

Eu viveria se não existisse dinheiro. Mais do que isso, eu viveria como eu quero viver.

O problema é que, mesmo que não existisse dinheiro, eu ainda teria responsabilidades que iriam me obrigar a viver de uma forma diferente da que eu quero viver.

Por isso aceito viver pelo dinheiro. Responsabilidades estão em todos os lugares. E pensar dessa maneira é o que me convenceu (e convence diariamente) a continuar trabalhando, a continuar me profissionalizando.

Então, com esperanças, um dia, depois de eu ter me exaurido de trabalhar, com certeza vou ter muito dinheiro para viver a vida da maneira que sempre sonhei. Pelo menos é o que espero. Pelo menos é o que todos nós esperamos.

Mas como saber qual a maneira de viver que sempre sonhei quando todos os meus sonhos parecem estar sendo moldados pelas pessoas ao meu redor? Pelas empresas ao meu redor? Pelas promessas ao meu redor?

Como saber como eu quero viver se tudo parece ter sido forçado goela abaixo?

No fim, não tem conclusão nenhuma.

Só quero saber, se não existisse dinheiro, o que você faria? 

Minha resposta é simples: nada.

Olhai os lírios e o que eles dizem.

Vejo um campo de lírios que dançam conforme o vento. Vejo o sol que os aquece e nutre. Vejo as nuvens e o céu pincelado colorido e uma estrada disposta ao meu caminhar.

Sou uma pessoa com medos, a rotina é um deles. Viver e reviver momentos infinitos, me desespera, mas, curiosamente, quando penso em trilhar o campo, meu coração se entrega a uma sensação de alegria.

Por mais que a ideia do eterno me cause gastura – e imagino que até a paz eterna canse – algo me chama para o trilho dos lírios. E, curiosamente, quero aceitar.

Me imagino a caminhar por todo o campo, andando eternamente com o sol sob a pele, sentindo o cheiro da mata, apreciando com os olhos a boa vista do céu.

É tão bonito, devo dizer, tão pacífico. Mas passageiro, porque onde se faz muito sol, muita chuva vem e vai ver que é por isso que eu me atento a ir: sei que nada é eterno, mesmo que doído, mesmo que feliz; nada é eterno.

Para a lua

Seu brilho
mistério
e estabilidade.
Seus segredos e histórias,
suas rochas e feridas,
seus anos de sabedoria.

Como pode ainda
ser tão humilde e compartilhar essa infinita habilidade que é viver
te contemplando e estudando, nos saciando e permitindo que vá aí te conhecer?

Como pode ainda controlar nossos mares e manter a vida
sabendo que estamos aqui para destruir
você?

Caro, sabiá

Quando olho para o sabiá
e vejo que sabe cansar
me envergonho com sua presença,
porque apesar da consciência,
não tenho nada para o oferecer.

E o que precisaria mais? Vive, come, bebe e canta. Seus dias são completos e o invejo por isto o bastar: eu, humano, trabalho, deito, durmo e 
em pranto
entro
por ser o que sou.

Queria eu viver como o sabiá que só sabe cantar. 
Sabiá, com toda sua sabedoria, compartilha comigo seus segredos da vida.

Queria eu viver como o sabiá que só sabe cantar...

Sabiá, então me fala! 
Com toda sua sabedoria, compartilha comigo seus segredos da vida,
me diz o que preciso para viver como sua sábia existência,
ô meu caro sabiá.