o homem foge da sua finitude

O homem foge da sua finitude

Poesia…

O homem foge da finitude, seja através de selvagerias ou compaixões, o homem foge da finitude.

Mas não o julgo, saber que num dia você existe o no seguinte
sua presença não mais, deve mesmo assustar. 
Se fosse eu, fugiria também.

Primeiro, daria trabalho na escola, para que todos os professores e colegas 
para sempre falassem de mim;
segundo, quebraria corações para que minha lembrança para sempre fosse admirada;
terceiro, acumularia contato de memórias, para eu ter a certeza de que foi eu mesma que às vivi;
quarto, iria pintar quadros e escrever em cadernos e publicar livros, não me importando com a qualidade, desde que aqui meus pensamentos continuar;
quinto, mentiria para o mundo, diria que vou salvá-lo, e aí, com certeza, enfim,
eu me teria imortalizado.

Não julgo quem foge da finitude, ela realmente assusta,
a ideia de que um dia vamos ser como aquela formiga que você esmagou com o dedão na superfície da mesa,
é assustadora. 
Num dia controlamos as águas dos rios, o fluxo dos céus, a quantidade de árvores na Terra;
no outro, somos nada, vendo nada, debaixo de um dedão de terra e merda.

Deus me livre de morrer, de ser finito como um homem comum. 
Por isso me deu o dom de escrever e de falar sem saber 
sobre o dia que todos vamos morrer.

Agora é sua vez de escrever!